Tosse dos Canis

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Tosse dos Canis

Altamente contagiosa, esta doença pode ser provocada por diversos agentes e é transmitida principalmente em locais com alta concentração de animais.

Saiba como evitá-la.

De origem multifatorial, ou seja, que pode ser causada por um ou vários agentes de doença combinados, a traqueobronquite aguda ou inflamação da laringe, traquéia e brônquios é denominada de maneira geral como “tosse dos canis”.

Trata-se de uma enfermidade altamente contagiosa, de ocorrência mundial e incidência aumentada sob condições de alta densidade de animais por metro quadrado. Isto significa que ambientes como pensões, canis e exposições cinófilas são ideais para sua transmissão.

Cães portadores de agentes da doença – principalmente a Bordetella bronchiseptica, o vírus da parainfluenza e os micoplasmas – em períodos de incubação e até animais sadios, podem agir como fonte de infecção.

Transmissão

A via aerógena (por catarro, secreções nasais, vapor da respiração) é o principal meio de eliminação dos agentes de doença. Após saírem da fonte de infecção, eles podem ser transportados pelas gotículas de Flug (vapor da respiração) ou por fômites (objetos contaminados), atingindo a via de penetração, que geralmente é também aerógena, de outro cão. São mais suscetíveis à doença animais não-vacinados, sob stress, desnutridos, com verminoses, jovens e alojados em locais com alta densidade populacional. O tempo de incubação varia de 4 a 6 dias, oportunidade em que alguns cães desenvolvem os primeiros sintomas da doença (falta de apetite, fezes pastosas com catarro, tosse algumas vezes com catarro, febre) enquanto outros do mesmo alojamento nada apresentam. Passados alguns dias, o grupo com sintomas pode demonstrar pequena melhora e outros casos se iniciam na população ainda não-sintomática.

Entre os principais agentes de doença destacam-se:

Bordetella bronchiseptica – bactéria que,isolada ou associada a outros agentes, parece ser a principal causadora da tosse dos canis.

Parainfluenza canina – vírus da família Paramixovididae, frequentemente isolado em secreções de cães com doença respiratória nas vias superiores, que pode produzir leve traqueobronquite.

Adenovirus 2 canino _ vírus que pode produzir grave traqueobronquite com desenvolvimento de pneumonia.

Microplasmas – microorganismos assemelhados com bactérias, ocasionalmente habitantes dos tratos respiratório e genital. Podem, em animais debilitados, contribuir para agravar as traqueobronquites.

Herpes vírus – vírus do tipo DNA que pode desencadear leve sintomatologia respiratória, mas que em alguns surtos de doença respiratória poderá determinar sintomas extremamente severos.

Pasteurella multocida – bactéria freqüentemente encontrada na porção anterior do trato respiratório dos cães com enfermidades respiratórias, possivelmente como agente contaminante.

Vírus da cinomose – Paramixovirus, que freqüentemente determina, em certos estágios de sua patologia,sintomas semelhantes aos da tosse dos canis.

Muitas viroses respiratórias, particularmente o vírus da Parainfluenza, podem causar completa destruição da camada ciliar do epitélio respiratório, responsável pela “filtragem do ar inspirado” que impede a entrada de substâncias estranhas às vias aéreas. A destruição desta camada irá, portanto, fragilizar o epitélio, expondo-o ao ataque de bactérias e outros microorganismos que, dependendo do grau de lesão, poderão se instalar em regiões mais profundas do trato respiratório e piorar o estado de saúde do animal.

Sintomas clínicos

São variados e dependem do número e tipo de agente de doença envolvido. De uma maneira geral, os animais acometidos apresentam febre, secreções oculares e nasal, letargia, inapetência, tosse inicialmente úmida com secreções claras vertendo pelos cantos da boca que, com o desenvolvimento da doença, irá se tomar extremamente forte, como um grito de ganso. A irritação da faringe e da laringe passa a ser tão grande que as secreções tornam-se, em alguns casos, de cor rosada, indicando rompimento de vasos sanguíneos da área afetada. Pela existência de grande quantidade de catarro e irritação na faringe, o animal passa a apresentar vômitos e as fezes tomam-se pastosas, com presença de catarro não-digerido.

Os sintomas podem persistir, em épocas frias de alta umidade do ar, por 1 a 2 semanas ou se tomar crônicos por 5 a 6 semanas.

Tratamento e prevenção

O tratamento deve estar voltado inicialmente para a causa principal da doença, procurando detectar os agentes responsáveis por ela.

Feito isto, indica-se o uso de antibiótico específico contra os agentes, drogas antitussígenas, fluidificantes (orais, injetáveis e sob estrita monitoração veterinária, recomenda-se o uso de nebulizadores com agentes fluidificantes dispersos em aerosóis de baixo diâmetro), broncodilatadores, fluidoterapia para reidratação, nutrição-suporte. Preventivamente recomenda- se estabelecer um programa de vacinações de todos os animais, incluindo os enfermos, com vacinas adequadas ao agente causador da doença.

É importante ainda: